Computação vestível: Cade o killer gadget?




O que é computação vestível? É aquilo que transforma em alien. Pelo menos é esta a impressão que se teve quando a Google lançou o seu “Glass“. Os óculos que a Google imaginou ser o must, acabou virando um mico. Nada muito diferente do que qualquer outro vestível alcançou até agora.

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Óculos

Não me interprete mal. Apesar de ser um produto da Google, a idéia por trás do produto é muito legal. Imagine ter informações “complementares” a realidade a qualquer momento numa pequena tela no seu campo de visão? Acho fantástico. Pra mim seria um “killer-product” se tivesse reconhecimento facial do meu interlocutor para informar o nome e função da pessoa. Tenho dificuldade enorme de guardar os nomes das pessoas.

Claro que o Google Glass pode fazer muito mais do que isto. A Google anunciou que o Glass deixaria de ser um produto como o conhecemos. Pararam de fabricar e vender. Alguns apontaram que o Glass não era “cool” ou transado o suficiente para se tornar popular, mas acho que o maior problema era o custo exorbitante de 1500 dólares e tempo de bateria questionável.

Outro fator despertou a ira de algumas categorias da população mundial. O Google Glass tem a capacidade de gravar vídeos, então, nos EUA, alguns usuários do Google Glass foram convidados a se retirar de cinemas e alguns foram até mesmo agredidos por pessoas na rua, por acharem que sua privacidade estava sendo invadida. Claramente a tecnologia está a frente da cultura e compreensão das pessoas. 

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O Google Glass não é o único do mercado de óculos inteligentes. Tudo bem que o Oakley Airwave não é bem um óculos, mas tem a mesma função. Ele é um óculos de proteção para usar ao esquiar. Custa 650 dólares e se integra com o SmartPhone. Através do Airwave o snowboarder ou esquiador pode ver sua velocidade através do GPS do smartphone, informações da descida, estatística de saltos, navegação, localização de amigos e algumas outras informações. 

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É um produto de nicho, mas será que além destes dois existem outros óculos-espertos? Tem. A Sony planeja lançar a sua interpretação de Google Glass. Se chama SmartEyeGlass. Foi mostrado no começo de 2014, seu software de desenvolvimento foi liberado para interessados em setembro e o lançamento pode acontecer em março de 2015.

Sua tela é monocromática, então os saudosistas dos monitores CGA vão se sentir em casa e de resto, tem sensores similares a que um smartphone teria. 

Existem ainda outros fabricantes que tem óculos ainda mais estranhos todos com data de lançamento agora no primeiro semestre. Dificilmente estes gadgets se tornarão um sucesso, pois nenhum deles tem software à altura. A maioria dos fabricantes está apenas preocupada com o hardware, nenhum deles está preocupado com a experiência. 

Eu gostaria que além do óculos mostrar o nome da pessoa, como falei lá em cima, o óculos me mantivesse constantemente informado quanto as condições de trânsito para o meu próximo deslocamento, informações sobre minha agenda de trabalho e outras informações que eu precise para o meu dia-a-dia, como a melhor opção para almoço ou atualizações sobre projetos ou noticias.

A experiência de segunda tela com tablets na TV pode se tornar diferente com um óculos, mas quem vai querer usar óculos para assistir TV? No 3D não deu certo, por que daria certo com óculos inteligentes?

Pulseiras

Óculos são apenas um exemplo de computação vestível. Outro gadget de vestir que parece ter tido mais sucesso são pulseiras para monitorar saúde e desempenho nas atividades físicas. No passado estas pulseiras eram na verdade cintas que funcionam em conjunto com um relógio. Agora, ao invés da cinta você usa uma pulseira ou relógio no pulso. Este gadget pode, ou não, se conectar através de sinais sem fio ao smartphone e assim atualizar imediatamente o serviço de nuvem os seus dados serão roubados, digo, analisados para indicar sua condição física (ou quão distante você está da boa forma).

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Possivelmente no futuro, empresas de seguro poderão usar estas informações para te dar um valor de seguro saúde ou de vida mais compatível com seu estilo de vida. Ou ainda seu médico pode acompanhar sua evolução nas metas de redução de taxa de gordura ou condição cardiológica. Abaixo a imagem do Microsoft Band e na imagem acima o produto da Jawbone.

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Este mercado está saturado. Existem vários fabricantes que produzem estas pulseiras. A maioria conta passos, rastreia seu deslocamento vertical, alguns batimento cardíaco e alguns monitoram o sono também. Ao contrário da bateria dos óculos, que duram apenas algumas horas, as pulseiras de saúde tem bateria que dura dias. Dependendo do uso, entre 2 e 10 dias. Tem uma pulseira que dura 10 meses, mas ela feita pela Dell, então, não vamos considerá-la.

A Apple fez um App que consolida todas as informações de gadgets de saúde num único local, o que torna a experiência de acompanhar peso e quantos passos que você dá por dia, quase lúdico. Faltou apenas ter competição entre os amigos. Eu sei que apps para corrida fazem isto, mas você precisa ter o app para ter a competição, no caso do app Health da Apple, não precisa. Ele consolida tudo.

Relógios

Depois das pulseiras outro gadget que passou a ser “esperto” para vestir são os relógios. O Microsoft Band está entre os dois mundos. Ele tem capacidade de mostrar algumas informações adicionais, mas não pode ser considerado um relógio. A LG tem um relógio com cara de relógio e se liga ao smartphone, mas ainda não alcançou a graça almejada. Já a Samsung está desesperada e atira para todos os lados. Já lançou uns 10 relógios. ok, exagero completo. Foram uns 3 ou 4, mas todos com o mesmo resultado. Popularidade marginal. Tempo de bateria fraco.

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Motorola tem o Moto 360 e este é um dos mais belos relógios espertos, apenas por conta do formato redondo. Todos os demais relógios são quadrados. Inclusive o da Apple que deve chegar ao mercado em abril e entre os rumores, tempo de bateria também pífio. Sony tem seu smartwatch , mas o primeiro relógio esperto foi o Pebble. Ele continua sendo pra mim o melhor de todos, ainda que não seja tão cool quanto o da LG e da Motorola. A foto está acima. São dois modelos. O da direito é o que foi lançado primeiro.

O que mais?

Curiosamente os vestíveis param aí. Ninguém fez um tênis esperto (tem um, mas vamos combinar que ele não é algo de pirar o cabeção), roupa intima inteligente (pode existir uma fralda conectada no futuro) ou casaco esforçado. Eu esperava pelo menos um capacete de obra para engenheiros ou arquitetos com algum tipo de tela auxiliar com informações da planta ou do projeto, um boné para esportistas ou um chapéu para mulheres conectadas.

O chapéu seria ótimo para pessoas com deficiência visual. Imagina ter um aviso sonoro quanto a obstáculos a frente ou um navegador de voz quanto ao deslocamento pelas ruas da cidade ou até mesmo dentro de um prédio?

No fundo, até agora, ninguém fez um produto que realmente mudou a forma como encaramos os nossos dias. A maioria gera apenas informações complementares, mas que não são fundamentais. Imagino que funções que realmente farão a diferençam são pagamentos, acesso a locais restritos (abertura de portas), planos de fidelidade e ofertas/promoções (do ponto de vista do consumidor, não do comerciante). Se um gadget conseguir fazer isto, seria fenomenal.




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