E as revistas digitais no iPad?




Todo mundo babou pela revista eletrônica que a Wired passou a oferecer no iPad. Ela é realmente fantástica e para os brasileiros o grande barato é ter acesso à revista por custos bem inferiores aos cobrados pelas lojas que vendem jornais e revistas importadas e mais do que isto, acesso imediato sem precisar esperar pela chegada da revista fisicamente ao Brasil.

Você não conhece a Wired no iPad? Veja os vídeos abaixo. A versão para iPad foi criada pela Wired com grande ajuda da Adobe e lançada em junho de 2010.

E uma pequena avaliação da revista pelo site Cult Of Mac no vídeo abaixo.

Contudo, tirando este grande ganho que o iPad deu, parece que o formato não decolou. O grande problema, por exemplo da Wired é que ele é extremamente pesada. Dependendo da edição são 500 MB ou até mesmo 1GB de dados que você vai precisar baixar. E o conteúdo nada mais é do que o mesmo da revista. O App da Wired é grátis e cada edição pode ser comprada através do esquema in-app purchase onde cada edição custa 4 dólares.

Todo mundo ficou excitado com o lançamento em junho do ano passado, mas passados 6 meses a quantidade de downloads caiu de 100 mil para 22,5 mil em outubro e novembro. Sem falar que se for comparar com a quantidade de revistas físicas o número representa ainda menos. São apenas 3% do mercado total. Porém não foi só com a Wired que os números são brochantes. A Vanity Fair caiu de 10,5 mil em agosto para 8,7 mil em novembro, cerca de 1% das vendas da revista física.

O motivo para o aparente fracasso pode ser visto pelos pontos abaixo:

  • Comparações entre o digital e o físico
    A revista digital é mais barata, porém sua conveniência não é tão boa quanto a revista física. Na revista que você compra na banca você pega um pitchulé e sai com a revista debaixo do braço para ler calmamente e curtir as belas fotos e a qualidade de impressão nas longas leituras que os artigos proporcionam. Já no iPad você fica preso ao download e a qualidade da tela não é lá grandes coisas se comparada com a revista física.
  • Edições antigas
    Ainda que você possa ter revistas antigas armazenadas no seu iPad ou ter as revistas antigas empilhadas num canto, ninguém pesquisa estas pilhas física e digital para pesquisar as edições anteriores. Você acaba indo ao site da revista para pesquisar. Então não adianta ter a versão digital, afinal ela não é pesquisável. Já na revista física, ainda tem um fator que torna a pesquisa mais fácil, por que você consegue lembrar se o artigo estava na página da direita ou da esquerda e se no começo ou final da revista.
  • Preço
    Preço é um fator importante na revista digital. Se o valor for próximo da revista física, o conteúdo precisa ser realmente revolucionário para justificar. Afinal, você só compra o conteúdo, que em tese já foi produzido para a revista impressa. O que muda é a forma que o conteúdo é consumido.

E como resolver esta questão? Bom, sugestões podem ser encontradas no Monday Note. A tarefa não é simples e não existe receita mágica. Os desafios são colocar o preço correto para o conteúdo oferecido onde o formato altera o preço, os tablets não estão conectados o tempo todo à internet, balanceamento de conteúdo e mídia rica, e, por fim, o mais importante, não colocar conceitos antigos em novos meios.




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