Perdeu a voz? Perdeu, mas já achou!




Olhem só como é a vida! Recebi do Jorge Wagner o seguinte texto:

Sabia que o Scott Adams (criador do Dilbert) teve um problema com de saúde e perdeu a voz? Não sabia? Eu também não. Mas agora fiquei sabendo que ele se recuperou sozinho dessa doença e a voz voltou. E ele conta que a doença atingiu várias pessoas só que nenhuma delas se curou, só ele.

Veja aqui.

Ficou curioso? Eu também fiquei. Cliquei no link e fui ler o longo artigo. Recomendo a leitura, é interessante. Volte depois aqui e continue lendo este por que não quero estragar a surpresa.

Voltou? Então: O melhor do artigo é a última frase. Depois de tanta felicidade, ele pergunta o que de bom aconteceu no seu dia. Hoje ainda não aconteceu nada, mas ontem eu vi uma tentativa super engraçada de uma amiga tentando fazer estrela (o movimento de rotação no corpo apoiando a mão no chão, sabe? Eca, essa explicação foi totalmente do meu lado engenheiro!). Óbvio que eu ri muito e gravei no celular para poder me divertir no futuro. Foi ótimo.

Mas então conte. O que de bom aconteceu com você?




Leia Também


Deixe um comentário

4 Comentários

  1. Gawande

     /  18/11/2006

    Achei a história do Scott Adams tão interessante e informativa, que achei que merecia tradução. Distúrios de fluência da fala, como a disfonia espamódica e a gagueira, são até hoje tão mal compreendidos, que relatos como o do Scott Adams representam oportunidades raras de lançar um pouco de luz e esclarecimento sobre a real natureza desses distúrbios. Aqui está a tradução (espero que caiba no espaço reservado aos comentários):

    ————————-

    Dia de boas notícias

    Como os leitores regulares do meu blog devem saber, perdi a voz cerca de 18 meses atrás. Permanentemente. Fui acometido por algo exótico chamado Disfonia Espasmódica. Basicamente, uma parte do cérebro que controla a fala simplesmente desliga em algumas pessoas, normalmente depois de forçarem demais a voz durante um quadro de infecção alérgica (que foi meu caso) ou algum outro tipo de laringite comum. Acontece com pessoas da minha faixa etária (40-50 anos).

    Perguntei a meu médico – um especialista nesta condição – quantas pessoas tinham conseguido se curar. Resposta: zero. Como não há cura, dolorosas injeções de Botox aplicadas através do pescoço diretamente nas cordas vocais podem fazer cessar os espasmos por alguns meses. Isso enfraquece os músculos que, de outra forma, contrairiam-se espasmodicamente, mas sua voz fica sussurrada e fraca.

    A parte mais estranha deste fenômeno é que a fala é processada em diferentes partes do cérebro, dependendo do contexto. Desse modo, pessoas com esse problema podem freqüentemente cantar, mas não conseguem falar. Em meu caso, conseguia fazer minhas palestras profissionais diante de grandes platéias, mas mal conseguia sussurrar fora do palco. E a maioria das pessoas com esta condição relatam que tem os piores problemas quando falam ao telefone ou quando há um ruído de fundo. Eu posso falar sozinho normalmente, mas não com outras pessoas em volta. Isso soa como um problema de ansiedade social, mas é apenas uma diferença de contexto, porque eu poderia facilmente cantar para aquelas mesmas pessoas.

    Eu parei de tomar injeções de Botox porque, embora elas me permitissem falar por algumas semanas, minha voz ficava fraca demais para palestras em público. Assim, pelo menos até que a temporada de palestras do outono acabasse, eu escolhi priorizar minha voz de palco em detrimento de minha capacidade de falar socialmente.

    Minha família e meus amigos têm sido excelentes. Eles lêem meus lábios da melhor forma possível, inclinam-se para ouvir meus sussurros, adivinham minha intenção, toleram minhas seis tentativas de dizer uma única palavra. Minha personalidade está completamente alterada. Minha rotineira presença de espírito tornou-se lenta e calculada. E freqüentemente, quando fica difícil dizer uma palavra de forma inteligível, acabo dizendo uma palavra errada, porque meu foco está mais concentrado no esforço da enunciação, em vez do pensamento por trás daquilo que vai ser dito. Assim, uma porção de coisas que saem da minha boca, francamente, não fazem o menor sentido.

    Para dizer o óbvio, boa parte do prazer de viver fica diminuído quando você não consegue falar. Tem sido difícil. Mas eu já disse que sou um otimista?

    Só porque nunca ninguém conseguiu curar-se da Disfonia Espasmódica antes, não quer dizer que não posso ser o primeiro. Desse modo, todos os dias, por meses e meses, eu tentava novos truques para recuperar minha voz. Eu me visualizava falando corretamente e dizia repetidamente a mim mesmo que eu podia. Usava auto-hipnose. Usava exercícios de terapia vocal. Falava com a voz esganiçada, mudava as freqüências. Observava quando minha voz estava melhor e quando estava pior e procurava por padrões. Tentava falar com sotaques estrangeiros. Tentava “cantar” algumas palavras que eram especialmente difíceis.

    Minha teoria era que a parte do meu cérebro responsável pela fala normal ainda estava intacta, mas por alguma razão tinha se desconectado das vias neurais que controlavam minhas cordas vocais. (Isso está de acordo com as melhores especulações de qualquer especialista sobre o que acontece na Disfonia Espasmódica. É algo misterioso.) E então eu imaginei que havia alguma forma de remapear essa conexão. Tudo que eu precisava fazer era encontrar o tipo de fala ou contexto o mais próximo possível – mas ainda assim suficientemente diferente – da fala normal, e que ainda funcionasse. Uma vez que eu conseguisse falar nesse contexto levemente diferente, eu continuaria diminuindo a lacuna entre essa fala contextual e a fala normal, até que minhas vias neurais fossem finalmente remapeadas. Bem, essa era minha teoria, Mas não sou nenhum neurocirurgião.

    Anteontem, enquanto ajudava em uma tarefa doméstica, percebi que poderia falar perfeitamente em rima. Rima era um contexto que eu não tinha considerado. Um poema não chega a ser uma canção, e também não é fala comum. Mas, por alguma razão, o contexto é de tal forma diferente da fala normal, que meu cérebro lidou bem com ele.

    Jack be nimble, Jack be quick.
    Jack jumped over the candlestick.

    [tradução adaptada]
    Jack seja ágil, seja uma gazela.
    Jack pule sobre o castiçal de vela.

    Eu repeti isso dúzias de vezes, em parte porque eu conseguia. Saia sem esforço, ainda que fosse parecido com a fala normal. Eu adorava ficar repetindo, ouvindo o som da minha própria voz fluindo quase sem defeito. Eu desejava ardentemente aquele som e a memória da fala normal. Talvez a rima tenha me transportado de volta à minha própria infância. Ou talvez fosse apenas o fato de ser algo simples e cativante. Eu tive prazer em ficar repetindo a rima mais do que normalmente teria. E então, algo aconteceu.

    Meu cérebro remapeou.

    Minha fala retornou.

    Não 100%, mas quase, como ao dar a partida em um carro numa noite fria de inverno. E então falei naquela noite. Falei muito. E durante todo o dia seguinte. Algumas vezes, sentia minha voz escapulindo de novo, então repetia a rima infantil e reassumia o controle. Por volta da noite seguinte, minha voz já estava quase completamente normal.

    Quando disse que meu cérebro remapeou, esta foi a melhor descrição que pude dar. Durante os piores momentos de meus problemas de voz, eu sabia antecipadamente que não conseguiria pronunciar uma palavra. Era como se eu pudesse sentir a falha de conexão entre meu cérebro e minhas cordas vocais. Mas de repente, ontem, senti a conexão de volta. Não foi apenas uma questão de conseguir falar, mas de saber como. O conhecimento retornou.

    Ainda não sei se isto é permanente. Mas agora sei que por um dia consegui falar normalmente. E este é um dos dias mais felizes da minha vida.

    Mas chega de falar de mim. Deixe-me um comentário falando sobre o momento mais feliz de sua vida. Tente ser breve. Só boas notícias hoje. Não quero ouvir nada que não sejam boas notícias.

    Responder
  2. Luíza

     /  27/02/2008

    Caramba!! Que tradução espetacular! Obrigado quem fez. Meu marido está exatamente com o mesmo problema e este texto me ajudou a esclarecer muita coisa sobre este intrigante distúrbio que é a disfonia espasmódica.

    Responder
  3. Ivo

     /  05/04/2010

    estou atravessando um momento bem parecido, pois a cerca de 40 dias, tive uma laringite esofágica e atualmente estou com disfonia; faço exercícios respiratórios, liberando o ar com força e sinto uma melhora; quando descanço do exercício, aumenta a disfonia.
    O teu depoimento me incentivou a perseverar, até a recuperação total.

    Abraços

    Responder
  4. Nelson Lima

     /  16/06/2012

    Bem, eu achava que estava sozinho nesta, estou com disfonia a 1 ano e meio, e até agora os esforços com terapia, fonoterapia e os genjbres da vida não me adiantaram em nada, gostei do testemunho, vou tentar fazer algo parecido, pois sou corretor de imóveis e sofro muito com isto.
    Abraços,

    Responder

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: