Telefonia como a conhecemos pode estar perto do fim




No passado, números de telefone era mais simples de lembrar. Tinham 6 dígitos, passaram para 7 por volta dos anos 70-80. Depois, por volta da virada do século passaram a ter oito dígitos. Hoje com a explosão dos celulares e facilidades de se ter um número e depois descartá-lo, passamos a ter nove digitos.

Quem consegue decorar estes números hoje em dia? Aliás, com os novos aparelhos e serviços de sincronização de contatos, ninguém mais precisa lembrar os números, mas precisa estar dentro da área de cobertura do serviço de dados para garantir sincronização ou acesso a seus contatos.

No final da década de 90 um número passou a ser importante para quem usava a internet. Número do ICQ. Através deste número, você encontrava com facilidade alguém com quem você gostaria de conversar. Nascia ali um sistema de contato pessoa-a-pessoa pela internet que começou a cavar o fim da telefonia.

Vários anos se passaram, vários serviços surgiram e sumiram. Entre os destaques destas últimas duas décadas: MSN e Skype. O primeiro se desintegrou para dar lugar ao Skype, que foi adquirido pela Microsoft. O que nasceu como sendo um método para trocar textos entre usuários, passou a ser uma maneira de conversar via video pela internet.

A voz traféga pela internet graças a avanços em tecnologias de compressão e melhorias na distribuição de dados aos lares, aumentando assim banda e diminuindo latência. Depois aspectos fundamentais para comunição síncrona.

Para achar alguém no Skype você ainda precisa ter uma “chave”, um endereço ou referência da pessoa. Por conta da quantidade de pessoas existentes, não é mais um número, como no ICQ, que você precisa, mas sim de um “nome de usuário”, que nada mais é que o antigo “número de telefone” só que composto por letras e números. O Skype, apesar de ter nascido para permitir conversas entre pessoas conectadas à internet, em algum momento, talvez inspirado no filme Tron (adorei a referencia!), passou a conectar pessoas fora do mundo internético. Você pode iniciar uma ligação telefônica através do seu computador e vice-versa. Fascinante.

O que falta para o mundo dos telefones realmente mudar é o fim da referencia por código. Chega de número de identificação ou nome de usuário. Vários serviços hoje em dia aceitam as credenciais de uma rede social para você se cadastrar e assim usufruir de comunicação ou informação que eles oferecem.

Imagina ter uma lista de contatos formada pelos seus amigos do Facebook? O grande barato disto é que a rede social passa a ser o grande livro de contatos. Chega de receber ligações indesejadas ou mensagens de texto dizendo que você pode ter Claro TV se ligar para o número 4323-4235 por menos de 5 reais por dia!

Com o sistema de comunicação integrado à rede social, você poderia restringir o contato à pessoas que você autoriza o contato. As demais “ligações” podem ir para a sua caixa de voz, por exemplo.

Este momento está mais perto que imaginamos. O Facebook compra e experimenta serviços de voz já faz algum tempo. Google vai fazendo ajustes nos seus serviços de comunicação via internet (Google Hangout) e hoje vi que o TrueCaller, serviço que oferece um cadastro online de todos os números do mundo, finalmente conseguiu uma maneira prática de oferecer seus serviços na plataforma da Apple.

Deu um balão na macieira do pomar, mas funciona muito bem. A API da Apple não permite interagir com as funcionalidades de telefone, então não há maneira de buscar, por exemplo, o nome de uma pessoa na base do TrueCaller enquanto o telefone está tocando.

A sacada genial é que enquanto o telefone toca, você pode capturar a tela do iPhone e segundos depois o app do TrueCaller, acessando esta imagem, identificar o número, vasculha na sua base de cadastros e através da Siri, indica por voz o dono do número que te liga. Genial.

Outra coisa bem legal que eu li esta semana é que a Apple esta trabalhando com as operadoras para tornar a transmissão de voz através de rede de dados de telefonia móvel uma realidade prática. Hoje, 3G não consegue fazer isto com qualidade. A voz precisa ser profundamente comprimida, latencias de rede e gargalos das operadoras não permitem serviços de voz através da internet, o que é mais do que óbvio de se esperar de empresas atrasadas e retrógadas. O futuro é transmissão de dados e não voz.

Atenção à Buzzword: VoLTE. Voice Over LTE, ou na tradução livre, voz sobre LTE. LTE, é a sopa de letrinhas que define a tecnologia de quarta geração de telefonia móvel.

É. O aparelho de telefone deixou de ser um aparelho faz tempo. É um minicomputador altamente capaz. A última fortaleza da resistencia é o serviço de voz que apesar de evoluir, ainda está no passado. Que venha o futuro!!! Adeus números!




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