Tim Cook conversa (ou não) sobre o futuro que a Apple nos reserva




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Tim Cook esteve na D11, conferência que reúne os principais executivos que o The Wall Street Journal organiza há pouco mais de 10 anos. Durante o evento, jornalistas conversam e provocam os executivos para analisar as vitórias, estratégias e conceitos que cada um emplaca em sua liderança no mercado. Nada previamente combinado ou acordado. 

Durante anos, esta conferência foi o principal destaque do ano com Steve Jobs descrevendo algumas coisas do bastidor da Apple-Fênix e este ano Tim Cook foi bastante evasivo com boa parte das perguntas e provocações. Nada muito diferente do que Steve Jobs faria, mas mudanças grandes entre os dois saltaram aos meus olhos.

Cook se recusou a comentar e responder à perguntas sobre a saída de Scott Forstall da Apple, o futuro da Apple TV, que é um projeto que já percorre nas pranchetas do pomar por alguns anos e algumas outras perguntas.

Os entrevistadores pareciam realmente boxeadores e tentavam encurralar Tim Cook para extrair informações valiosas sobre o futuro e passado da Apple. Algumas das informações que Cook não cedeu, podem ser anunciadas durante a WWDC que ocorre no meio de Junho em San Francisco. Tudo para manter a estratégia de surpresa que a Apple tem conseguido na última década.

Acompanhei diversas destas conferências para ver Steve Jobs ter conversas bastante passionais com Walt Mossberg. Jobs tinha um brilho nos olhos ao ser provocado e suas respostas podiam ser bastante “coloridas” ainda que evasivas. Tim Cook por outro lado foi monocromático.

Steve era um empreendedor passional travestido de executivo que encantava e aterrorizava ao mesmo tempo o seu rebanho. Já Tim Cook, é um executivo de primeira linha que rege uma orquestra através de números sem a paixão de inovar e encantar. Tim tem paixão e inovação apenas como conceito. Ele os usa ao invés de vivê-los.

Durante as respostas que Tim dava durante a entrevista, notei que ele tinha um cuidado enorme para escolher a linha de raciocínio e as palavras. Enfim. Abaixo, alguns pontos do papo com Tim Cook no D11.

Apple TV

A Apple tem um único produto voltado para televisores que é o Apple TV. Ele não passa de um hardware dedicado que se liga ao televisor através de porta HDMI e tem um controle remoto. Só. Dentro o hardware não é muito diferente que um iPod ou iPad. Ele tem duas funcionalidades chave:

1. Acesso ao iTunes para alugar e comprar filmes / séries / músicas

2. Caminho para exibir conteúdo de iGadgets no televisor sem precisar de fios

Durante anos, Steve Jobs, classificou o Apple TV como um passatempo para a Apple e não um produto realmente levado à sério. Tim Cook, relembrou que o projeto de reinvenção do televisor ainda está em andamento.

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Especula-se que a Apple pode lançar um equipamento como um televisor inteligente. Outro rumor indica que o Apple TV pode ser apenas uma evolução do equipamento que existe hoje com conteúdo diferenciado que depende de acordos com gravadores, estúdios, emissoras e demais produtores de conteúdo. Por fim existe ainda a possibilidade da Apple substituir o set top box que as operadoras de TV por Assinatura oferecem hoje, entregando conteúdo por assinatura através da internet. Coisa que a Google tentou fazer no passado e falhou ridiculamente.

Tim Cook não respondeu e nem deu indicação alguma de como será o futuro do Apple TV, mas deu a entender que o projeto é revolucionador como o iPhone foi quando lançado.

iPhone não é rei, mas é o melhor

Quando questionado sobre o iPhone não ser o mais vendido e o Android ser o mais numeroso do planeta, Tim Cook, entrou na discussão do que o iPhone realmente é. Ele é um smartphone e exaltou, obviamente, que é o melhor smartphone que já existiu e que existe disponível para alguém comprar e usar.

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Cook deixou claro que o iPhone é o melhor smartphone por conta do conjunto da obra. A experiência do usuário que é o maior ativo do iPhone e da Apple. As tecnologias são empregadas de tal forma a não serem evidentes. O que a Apple se esforça em fazer é empregar tecnologia de tal maneira que o resultado final é que chama a atenção e que no final quase parece mágica. “Specs are dead”, ou especificações técnicas são coisa do passado, numa tradução livre. Ninguém se importa mais se o processador tem 1, 2 ou 15 mil núcleos. O que importa é funcionar bem, sempre. E é isto que a Apple faz.

O Android se tornou o mais numeroso no planeta, não por ser o melhor, mas por ser vendido em várias sabores. Muitos deles são os chamados “feature phones”, aparelhos que tem uma funcionalidade principal e as demais são apenas “pra enganar”. Sem demérito algum nas aspas, pois estes aparelhos são mais em conta, menos poderosos e para quem quer apenas um telefone e eventualmente utiliza as funcionalidades de smartphone, está pra lá de bom. E, claro, boa parte dos “feature phone” são movidos à Android.

Podemos ver as gerações anteriores do iPhone como feature phones, mas seria deturpação do conceito.

Mudança de comportamento

Desde 2007 o mundo móvel mudou, ou finalmente nasceu de vez. iPhone abalou o mundo e tirou do mapa grandes nomes do mercado de telefones. Na sequencia veio o iPad que criou algo novo, um nicho que não existia e que tomou conta de parte do mercado de computadores.

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O iPad foi o principal dispositivo que mudou o comportamento do usuário. Ao invés de usar um computador, o caboclo utiliza o iPad para os mais variados usos. Ainda não é possível fazer tudo no iPad, mas as principais “coisitas” dá pra fazer. Tablet virou sinônimo de iPad. 

É difícil ver alguém fazendo tudo com um tablet com Android ou feliz com ele. Já com iPad a coisa é bem diferente. Os usuários de iGadgets são os mais satisfeitos e que mais realizam transações comerciais utilizando seus dispositivos móveis. Isto quer dizer que mais do que um equipamento, os produtos da Apple formaram uma relação de confiança com seus donos e criaram um ecosistema saudável para todos.

API mais aberta

Tanto é saudável, que a Apple continua a investir no desenvolvimento de APIs para que desenvolvedores consigam fazer apps ainda mais fantásticos, mas sem quebrar a magia do sistema da Apple, como o app Facebook Home para Android propõe. A WWDC, conferencia anual da Apple para desenvolvedores se reunirem e conhecerem as novidades dos próximos 12 meses, acontece no mês que vem e deve mostrar as novidades do iOS 7 e OS X, assim como as novas APIs.

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A característica mais marcante da Apple e totalmente contrária à da Google é que a Apple faz o papel de mãe coruja e super protetora com seus consumidores. Alguns acham isto ruim, as eu acho perfeito. É ótimo ter alguém que entende do assunto tomando as decisões, deixando você apenas com a tarefa de usufruir. Não por que eu ter que analisar 5 milhões de opções de teclado virtual e escolher o que é melhor pra mim. O básico deve ser entregue pronto e os apps precisam ser testados e validados antes de serem oferecidos pra mim. Assim se chega à qualidade.

Apps da Apple para outras plataformas

A Apple só fez softwares para Windows e ainda assim não tem o hábito de atualizá-los com frequencia. Faz apenas o necessário para mantê-los funcionando de acordo com a estratégia do serviço. Quando questionado sobre a possibilidade de existir um app oficial da Apple para Android, por exemplo, Cook respondeu que não é impossível, contudo, improvável que aconteça. Se existir a necessidade de fazê-lo a Apple o fará, mas nada indica que isto acontecerá em breve.

Para ler mais a respeito e assistir a entrevista, recomendo a vista da Forbes, All Things Digital D11 e Apple Insider. Aliás, destaque para a pergunta do Mr. Patel do The Verge. Simplesmente fantástica.




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